História

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 História


    Contexto histórico dos três concelhos abrangidos

  • Vila Real de Santo António
  • Castro Marim
  • Alcoutim

  • Vila Real de Santo António

    Vila Real de Santo António foi fundada em 1774 por vontade expressa do Marquês de Pombal, perto da antiga Vila de Santo António de Arenilha desaparecida no século XVII, engolida pelo avanço do mar conjugado com alterações do leito do rio. Pelo facto de ter sido construída de raiz em apenas dois anos, obedecendo ao padrão iluminista, constitui um importante testemunho histórico. Para a nova vila, transformada em sede de concelho, foram transferidas a alfândega (estava em Castro Marim) e a prisão (localizada em Cacela). No século XIX, o seu desenvolvimento está ligado à expansão da indústria conserveira, graças aos investimentos de espanhóis, gregos e italianos. A atividade piscatória continua a ser um recurso económico fundamental, animado pela apanha do atum e da sardinha para a indústria conserveira. Cacela limita-se, cada vez mais, à produção agrícola para abastecer os dois centros populacionais mais próximos (Vila Real de Santo António e Tavira). Só no final desse século é que a vila assiste à chegada do comboio, favorecendo a ligação com os restantes centros urbanos do Algarve e a ligação ao resto do país. Os anos sessenta assinalam no Algarve o início de um processo de crescimento regional claramente polarizado pelo turismo. Monte Gordo, até aí pequena aldeia piscatória, torna-se um centro de turismo, graças à edificação dos primeiros edifícios hoteleiros. Assim se afirma a nova vertente económica do concelho: o turismo. Pela sua localização geográfica fronteiriça, é local privilegiado pelos espanhóis, nomeadamente no campo comercial, cultural e gastronómico. O concelho apresenta diferenças a nível morfológico/paisagístico, opondo áreas de relevo acidentado a Norte e áreas aplanadas no Litoral e, possuindo valores ambientais, paisagísticos e patrimoniais relevantes. Para além disso, possui ainda recursos culturais, sociais e desportivos com bastante relevância quer a nível nacional quer a nível internacional.

  • Castro Marim

    Castro Marim, povoação que ressurgiu de velhas civilizações que aí deixaram os seus testemunhos, foi conquistada aos Mouros por D. Paio Peres em 1242. Durante as lutas da reconquista cristã verificou-se um grande decréscimo populacional. Devido a isso, os monarcas da 1ª dinastia concederam-lhe foros e privilégios especiais. No reinado de D. Dinis, Castro Marim viu reconhecida a sua importante localização estratégica, acolhendo, por bula decretada pelo Papa João XXII, a sede da Ordem de Cristo (1319). Mais tarde, foi residência do Infante D. Henrique, aquando da sua nomeação para governador desta ordem. No período da expansão ultramarina, Castro Marim voltou a ter um papel fundamental na luta contra a pirataria muçulmana dada a sua proximidade com Marrocos. Além disso, afirmou o seu papel como porto piscatório e comercial. Durante as guerras da restauração, reconstruiu-se o castelo e construiu-se o Forte de S. Sebastião. Mais uma vez, Castro Marim é fruto de atenção devido à sua localização estratégica privilegiada. O século XVIII foi marcante para a situação futura da vila. O terramoto de 1755 abalou a vila, destruindo parte das construções mais antigas. Mas foi o nascimento da nova vila pombalina, junto à foz do Guadiana, que mais terá contribuído para o esmorecer da importância e do dinamismo desta vila. Possui recursos culturais, sociais e desportivos. É de realçar os importantes recursos naturais/paisagísticos, encontrando-se neste concelho a sede da Reserva Natural do Sapal Castro Marim e Vila Real de Santo António.

  • Alcoutim

    As origens de Alcoutim remontam ao Calcolítico, onde se terá fixado uma tribo celtibérica. Nos princípios do século II a.C. foi ocupada pelos Romanos, que lhe deram o nome de Alcoutinium. Em 415 foi conquistada pelos Alanos e um século mais tarde pelos Visigodos. Entre 552 e 625 esteve sob o domínio bizantino. No início do século VIII passou para o domínio dos Mouros, que fortificaram a povoação. Só no reinado de D. Sancho II (1240) é que será integrada no território português. Em 1304, D. Dinis dotou-a de foral e mandou reedificar as muralhas e o castelo. Este monarca doou a vila à Ordem Militar de Santiago. A vila foi palco da celebração do tratado de paz entre o rei de Portugal, D. Fernando, e o rei de Castela, D. Henrique, que pôs fim à primeira guerra fernandina. Em 1520, D. Manuel I reformou o anterior foral e elevou a vila a condado a favor dos primogénitos dos Marqueses de Vila Real. O facto de os donatários terem seguido o partido espanhol durante o período da dominação filipina, levou a que os seus bens revertessem a favor da Casa do Infantado (a partir de 1641). Durante a Guerra da Restauração, Alcoutim foi palco de confrontos e escaramuças militares, como o duelo de artilharia travado com Sanlucar del Guadiana. Mais tarde, assistiu aos conflitos entre liberais e miguelistas que disputaram o domínio do Rio Guadiana. O século XX não aportou dinamismo para o concelho, marcado pelo isolamento geográfico de um concelho serrano a que faltavam vias de comunicação modernas, eletricidade e telefone e ainda pelo progressivo despovoamento que mutilou a possibilidade de desenvolvimento da sua vertente agrícola e pastoril. Possui recursos culturais, sociais e desportivos. É de realçar a criação de museus etnográficos nas escolas de 1º Ciclo desativadas.


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